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Embarcações Tradicionais da Nazaré

  

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Um Tributo Vivo à Alma Marítima da Vila

Desde o verão de 2015, a praia da Nazaré acolhe uma exposição permanente de embarcações de pesca tradicionais. Localizada em frente ao Centro Cultural e junto ao Estendal do Peixe, esta mostra ao ar livre preserva a memória das profundas tradições piscatórias da Nazaré. Estas embarcações outrora navegaram o Atlântico, sendo centrais para a economia, identidade e vida quotidiana da vila.

A Exposição de Embarcações Tradicionais da Nazaré é uma homenagem vívida a um legado marítimo orgulhoso. Ao preservar e exibir estas embarcações, a Nazaré oferece tanto a residentes como a visitantes uma ligação poderosa ao seu património vivo - moldado pelo mar e transmitido através de histórias, artesanato e comunidade.

Contexto Histórico

A costa da Nazaré tem sido, há muito, palco de diversas técnicas de pesca e embarcações únicas, adaptadas às suas águas desafiantes. Os barcos eram construídos por mestres carpinteiros locais, desenhados para a pesca à Xávega, redes de candil e operações de salvamento. A exposição oferece uma oportunidade rara de ver estas embarcações autênticas de perto, celebrando a preservação cultural e o orgulho comunitário.

Significado Cultural

Estas embarcações são mais do que artefactos históricos - são símbolos de identidade, resiliência e memória coletiva. A exposição presta homenagem a gerações de pescadores e suas famílias, que moldaram os ritmos da vida na Nazaré. Os visitantes ganham uma apreciação mais profunda pelos riscos, saberes e tradições das comunidades costeiras.

Um Cenário Simbólico Junto ao Mar

A Exposição de Embarcações Tradicionais da Nazaré está situada num dos locais mais icónicos e simbólicos da vila. Este cenário cuidadosamente escolhido permite que os visitantes vivam a exposição no seu contexto autêntico, rodeados pelas paisagens, sons e espírito da cultura piscatória nazarena. Cria-se assim uma fusão perfeita entre passado e presente, onde a tradição continua viva na própria areia que a moldou.

  • Diretamente na praia, onde estas embarcações outrora eram lançadas e regressavam do mar.

  • Em frente ao Centro Cultural da Nazaré, um polo de criatividade e vida comunitária.

  • Junto ao Museu do Peixe Seco, que oferece uma perspetiva complementar sobre o património piscatório da Nazaré.

Uma Viagem Cultural para Todos
  • Gratuita e ao ar livre, esta exposição está acessível durante todo o ano a todos, tornando-se uma das atrações culturais mais acolhedoras da Nazaré.

    Perfeita para uma grande variedade de visitantes, incluindo:

    • Turistas culturais em busca de experiências patrimoniais autênticas

    • Estudantes e investigadores interessados na história marítima e nas artes tradicionais

    • Famílias à procura de atividades educativas e envolventes ao ar livre

    • Fotógrafos e artistas inspirados por temas intemporais e pela luz dramática da costa

 

Embarcações em Destaque

Cada embarcação em exposição representa uma função ou técnica de pesca específica:

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Um barco utilizado no sistema de redes Valencianas, concebido para arrastar grandes redes junto à costa. - Fotografia pela Rental Retreats

"BARCA MIMOSA"

Concebido para ser utilizado no intricado "sistema de redes Valencianas", o Mimosa desempenhou um papel vital num método tradicional de pesca à sardinha que dependia de redes fixas e da coordenação de pelo menos quatro embarcações estrategicamente posicionadas no mar. Estas redes permaneciam no local durante todo o verão, sendo apenas recolhidas em setembro. O Mimosa fazia parte do sistema de redes "Juncal", operado por Cândido Rodrigues e Companhia.

Para além da sua função no método Valenciano, o barco foi provavelmente utilizado também no sistema de pesca conhecido como "cerco americano". Em anos posteriores, com o aparecimento dos arrastões, embarcações como o Mimosa foram também usadas para transportar pessoas e peixe entre as boias ao largo e a linha costeira.

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Um barco de candil, antigamente utilizado para a pesca noturna com recurso a candeeiros. - Fotografia pela Rental Retreats

BARCO CANDIL "VAGOS"

Uma forma tradicional de pesca local, a técnica do candil era praticada à noite nas águas tranquilas da baía da Nazaré. O barco auxiliar, equipado com um sistema de iluminação montado na popa, lançava a sua luz sobre o mar para atrair os peixes à superfície, guiando o ritmo desta antiga colheita noturna.

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Um modesto barco a remos e fiel auxiliar dos Vagos, equipado com candeeiros de óleo tradicionais para a pesca noturna. - Fotografia pela Rental Retreats

BARCO AUXILIAR "ILDA"

Uma embarcação modesta a remos, este barco estava registado na Capitania da Nazaré para uso na pesca local, utilizando apetrechos de anzol e redes não especificadas. Servia como embarcação auxiliar do barco de candil Vagos, tendo sido construído para acomodar até dois tripulantes.

Pertenceu a João Pombinha Vagos (Joaquim Codinha Bagos), e tanto o Vagos como a sua embarcação auxiliar foram adquiridos pelo Museu Dr. Joaquim Manso em 1981, preservando assim o seu legado.

Na popa, o barco apresentava uma cruzeta com dois candeeiros de óleo (fogachos) - um sistema de iluminação tradicional essencial para a pesca noturna. Estes candeeiros iluminavam a zona de trabalho do pescador, ao mesmo tempo que atraíam os peixes à superfície com a sua luz suave.

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Um barco tradicional da arte da Xávega, ligado a uma das mais antigas técnicas de pesca em Portugal. - Fotografia pela Rental Retreats

BARCO ARTE XÁVEGA "PERDIDO"

Expressão tradicional da pesca local, a arte da Xávega é uma das técnicas mais características utilizadas na costa da Nazaré. As redes eram lançadas ao mar em vários pontos cuidadosamente escolhidos e, após cerca de uma hora e meia, eram puxadas de volta para terra.

Duas filas de homens e mulheres trabalhavam em uníssono, puxando as cordas e arrastando o pesado saco da rede pela areia. A captura era então colocada em xalavares ou cestos e transportada até à lota.

A proa alta e elevada do barco foi especialmente concebida para facilitar a sua entrada através das ondas. Tripulado por uma equipa de três a sete pessoas, o barco encarnava o espírito do trabalho coletivo e da tradição marítima profundamente enraizada.

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Adição posterior à exposição, ampliando a representação da frota pesqueira.- Fotografia pela  Rental Retreats

BARCO "TRÊS IRMÃOS LEAIS"

Esta embarcação representa o último barco oficialmente licenciado para pescar com redes de Xávega, registado na Capitania do Porto da Nazaré.

Entre 1995 e 2011, durante os meses de maio e junho, o barco e a sua tripulação tornaram-se figuras centrais na Recriação Histórica da Arte Xávega. Com o apoio do município, dos pescadores e de várias entidades da comunidade, estas encenações visavam celebrar e preservar a cultura marítima da Nazaré - destacando o carácter artesanal de uma tradição com relevância tanto cultural como turística.

Em 2015, o barco foi adquirido pela autarquia ao seu antigo proprietário, o Sr. Alexandre Brogaja Mendes, que generosamente doou o equipamento de pesca original e as redes, garantindo que este legado perdurasse para as gerações futuras.

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Outra embarcação de pesca emblemática que preserva o legado piscatório da Nazaré.- Fotografia pela Rental Retreats

BARCO "SOL DA VIDA"

O Sol da Vida foi construído para a pesca artesanal local, utilizando técnicas tradicionais como a pesca à linha, redes de tresmalho, cerco e redes de emalhar - métodos profundamente enraizados no património costeiro da Nazaré.

Esta embarcação foi generosamente doada à Câmara Municipal da Nazaré pela família do seu proprietário, o Sr. José Manuel Limpinho Salzinha, para integrar a exposição de barcos tradicionais que simboliza a história marítima da vila.

Nascido na Nazaré a 8 de maio de 1946, José Manuel Limpinho Salzinha foi um dos muitos nazarenos corajosos que integraram tripulações de pesca rumo às águas geladas do Mar do Norte, contribuindo para o legado da Confraria dos Armadores da Pesca do Bacalhau. Pescador experiente, admirado pelos colegas pela sua perícia e dedicação, Salzinha consagrou a sua vida ao mar.

Tragicamente, a 25 de abril de 2011, com 64 anos, perdeu a vida quando a embarcação Bruna, da qual fazia parte da tripulação, se virou. Tal como tantos outros antes dele, o mar reclamou um dos seus - um homem que passou a vida a navegar entre a beleza e o perigo das águas, com incansável dedicação à sua arte.

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A adição mais recente, outro barco de candil, demonstra o contínuo envolvimento da comunidade na preservação do património marítimo.- Fotografia pela Rental Retreats

BARCO "AMOR DE FILHOS"

Esta embarcação foi outrora utilizada na pesca artesanal local, especificamente na prática da pesca de candil - uma técnica tradicional da Nazaré que recorria a redes de cerco improvisadas e à luz de archotes para atrair à superfície espécies como o carapau, a cavala, a sardinha, entre outras.

Pertencente a Eduardo Veríssimo Chalabardo, o barco foi generosamente doado pela sua família à Câmara Municipal da Nazaré, passando a integrar a exposição de embarcações tradicionais e preservando a memória viva do património marítimo da vila.

Eduardo Veríssimo Chalabardo nasceu a 20 de setembro de 1936 e faleceu a 22 de agosto de 2021, com 84 anos. Como tantos outros nazarenos antes dele, navegou até aos distantes Mares do Norte como parte das frotas bacalhoeiras, contribuindo para o orgulhoso legado da Grémio dos Armadores de Navios de Pesca do Bacalhau.

Esta doação é uma homenagem à vida do Sr. Chalabardo e ao seu duradouro contributo para a história e alma da pesca na Nazaré.

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Uma histórica embarcação de pesca da arte da Xávega que encarna a força e a solidariedade da tradição piscatória da Nazaré..- Fotografia pela Rental Retreats

BARCO ARTE XÁVEGA "D. NUNO ÁLVARES PEREIRA"

Doada pelo pescador João de Deus Estrelinha, esta embarcação é um símbolo vivo de uma das técnicas de pesca mais intrincadas e emblemáticas da Nazaré - a arte xávega. Outrora um pilar do modo de vida local, este método começou a desaparecer na década de 1980, após a construção do Porto de Abrigo.

A arte xávega exigia um esforço e uma coordenação extraordinários. Os pescadores dependiam uns dos outros para lançar e recolher tanto os barcos como as redes do mar - uma tarefa tornada ainda mais árdua pelas forças da natureza. Este trabalho fisicamente exigente era frequentemente apoiado pela força e dedicação das mulheres e das crianças, cujo esforço coletivo formava a espinha dorsal desta tradição notável.

https://findoutnazare.pt/listing/embarcacoes-tradicionais-da-nazare/